OH AMOR, oh
raio louco e ameaça purpúrea,
me visitas e sobes por tua
viçosa escada
o castelo que o tempo coroou de
neblinas,
as pálidas paredes do coração
fechado.
Ninguém saberá que só foi a
delicadeza
construindo cristais duros como
cidades
e que o sangue abria túneis
inditosos
sem que sua monarquia
derrubasse o inverno.
Por isso, amor, tua boca, teu
pé, tua luz, tuas penas,
foram o patrimônio da vida, dos
dons
sagrados da chuva, da natureza
que recebe e levanta a gravidez
do grão,
a tempestade secreta do vinho
nas cantinas,