CORAÇÃO MEU,
rainha do aipo e da artesã:
pequena leoparda do fio e a
cebola:
agrada-me ver brilhar teu
impero diminuto,
as armas da cera, do vinho, do
azeite,
do alho, da terra por tuas mãos
aberta,
da substância azul acesa em
tuas mãos
da transmigração do sonho à
salada,
do réptil enrolado na
mangueira.
Tu, com tua podadeira
levantando o perfume,
tu, com a direção do sabão na
espuma,
tu, subindo minhas loucas
escalas e escadas,
tu, manejando o sintoma de
minha caligrafia
e encontrando na areia do
caderno
as letras extraviadas que
buscavam tua boca.