Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - XXXIII

 

AMOR, agora nos vamos à casa

onde a trepadeira sobe pelas escadas:

antes que chegues, alcançou teu quarto

o verão nu com pés de madressilva.

 

Nossos beijos errantes percorreram o mundo:

Armênia, espessa gota de mel desenterrada,

Ceilão, pomba verde, e Yang Tsé separando

com antiga paciência os dias das noites.

 

E agora, bem-amada, pelo mar crepitante

voltamos como duas aves cegas ao muro,

ao ninho da longínqua primavera,

 

porque o amor não pode voar sem deter-se:

ao muro ou às pedras do mar vão nossas vidas,

a nosso território regressaram os beijos.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

Voltar