Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - XXXI

 

COM LOUREIROS do Sul e orégão de Lota

cinjo-te a coroa, pequena monarca de meus ossos,

e não pode faltar-te essa coroa

que elabora a terra com bálsamo e folhagem.

 

És, como o que te ama, das províncias verdes:

de lá trouxermos barro que nos corre no sangue,

na cidade andamos, como tantos, perdidos,

temerosos de que fechem o mercado.

 

Bem-amada, tua sombra tem olor de ameixa,

teus olhos esconderam no Sul suas raízes,

teu coração é uma pomba de alcanzia,

 

teu corpo é liso como as pedras na água,

teus beijos são cachos com orvalho,

e eu a teu lado vivo com a terra.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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