Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - X X V I I I

 

AMOR, de grão a grão, de planeta a planeta,

a rede do vento com seus países sombrios,

a guerra com seus sapatos de sangue,

ou melhor o dia e a noite da espiga.

 

Por onde fomos, ilhas ou pontes ou bandeiras,

violinos do fugaz outono atormentado,

repetiu a alegria dos lábios do copo,

a dor nos deteve com sua lição de pranto.

 

Em todas as repúblicas desenvolvia o vento

seu pavilhão impune, sua glacial cabeleira,

e logo regressava a flor a seus trabalhos.

 

Mas em nós nunca se calcinou o outono.

E em nossa pátria imóvel germinava e crescia

o amor com os direitos de orvalho.

 

(Pablo Neruda)

 

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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