Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - X X I I I

 

FOI luz o fogo e pão a lua rancorosa,

o jasmim duplicou seu estrelado segredo,

e do terrível amor as suaves mãos puras

deram paz a meus olhos e sol a meus sentidos.

 

Oh amor, como de repente, dos rasgos

fizeste o edifício da doce firmeza,

derrotaste as unhas malignas e zelosas

e hoje diante do mundo somos como uma só vida.

 

Assim foi, assim é e assim será até quando,

selvagem e doce amor, bem-amada Matilde,

o tempo nos assinale a flor final do dia.

 

Sem ti, sem mim, sem luz já não seremos:

então ,mais além da terra e a sombra

o resplendor de nosso amor seguirá vivo.

 

(Pablo Neruda

 

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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