OH que todo o amor
propague em mim sua boca,
que não sofra um momento mais sem
primavera,
eu não vendi senão minhas mãos à dor,
agora, bem-amada, deixa-me com teus
beijos.
Cobre a luz do mês aberto com teu
aroma,
fecha as portas com tua cabeleira
e
em relação a mim não esqueças que se
desperto e choro
é
porque em sonhos apenas sou um menino
perdido
que busca entre as folhas da noite
tuas mãos,
o
contato do trigo que tu me comunicas,
um rapto cintilante de sombra e
energia.
Oh, bem-amada, e nada mais que sombra
por onde me acompanhes em teus sonhos
do livro: Cem Sonetos de Amor
|
|