Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - X X I

 

OH que todo o amor propague em mim sua boca,

que não sofra um momento mais sem primavera,

eu não vendi senão minhas mãos à dor,

agora, bem-amada, deixa-me com teus beijos.

 

Cobre a luz do mês aberto com teu aroma,

fecha as portas com tua cabeleira

e em relação a mim não esqueças que se desperto e choro

é porque em sonhos apenas sou um menino perdido

 

que busca entre as folhas da noite tuas mãos,

o contato do trigo que tu me comunicas,

um rapto cintilante de sombra e energia.

 

Oh, bem-amada, e nada mais que sombra

por onde me acompanhes em teus sonhos

e me diga a hora da luz.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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