Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - XVIII

 

PELAS MONTANHAS vais como vem a brisa

ou a corrente brusca que baixa da neve

ou melhor tua cabeleira palpitante confirma

os altos ornamentos do sol na espessura.

 

Toda a luz do Cáucaso cai sobre teu corpo

como numa pequena vasilha interminável

em que a água se muda de vestido e de canto

a cada movimento transparente do rio.

 

Pelos montes o velho caminho de guerreiros

e embaixo enfurecida brilha como uma espada

a água entre muralhas de mãos minerais,

 

até que tu recebes dos bosques de repente

o ramo ou o relâmpago de umas flores azuis

e a insólita flecha de um aroma selvagem.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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