Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - XLVIX

 

É HOJE: todo o ontem foi caindo

entre dedos de luz e olhos de sonho,

amanhã chegará com passos verdes:

ninguém detém o rio da aurora.

 

Ninguém detém o rio de tuas mãos,

os olhos de teu sonho, bem-amada,

és tremor do tempo que transcorre

entre luz vertical e sol sombrio,

 

e o céu fecha sobre ti suas asas

levando-te e trazendo-te a meus braços

com pontual, misteriosa cortesia:

 

por isso canto ao dia e à lua,

ao mar, ao tempo, a todos os planetas,

a tua voz diurna e a tua pele noturna.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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