Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - X L V

 

NÃO ESTEJAS longo de mim um só dia, porque como,

porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,

e te estarei esperando como nas estações

quando em alguma parte dormitaram os trens.

 

Não te vás por uma hora porque então

nessa hora se juntam as gotas do desvelo

e talvez toda a fumaça que anda buscando casa

venha matar ainda meu coração perdido.

 

Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,

ai que não voem tuas pálpebras na ausência:

não te vás por um minuto, bem-amada,

 

porque nesse minuto terás ido tão longe

que eu cruzarei toda a terra perguntando

se voltarás ou se me deixarás morrendo.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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