Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - X L I V

 

SABERÁS que não te amo e que te amo

posto que de dois modos é a vida,

a palavra é uma asa do silêncio,

o fogo tem uma metade de frio.

 

Eu te amo para começar a amar-te,

para recomeçar o infinito

e para não deixar de amar-te nunca:

por isso não te amo todavia.

 

Te amo e não te amo como se tivesse

em minhas mãos as chaves da fortuna

e um incerto destino desditoso.

 

Meu amor tem duas vidas para amar-te.

Por isso te amo quando não te amo

e por isso te amo quando te amo.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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