Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda

Soneto XLI

 

DESVENTURAS do mês de janeiro quando o indiferente

meio-dia estabelece sua equação no céu,

um ouro duro como o vinho de uma taça repleta

satura a terra até seus limites azuis.

 

Desventuras deste tempo semelhantes a uvas

pequenas que agruparam verde amargo,

confusas, escondidas lágrimas dos dias,

até que a intempérie publicou seus cachos.

 

Sim, germes, dores, tudo o que palpita

aterrado, á luz crepitante de janeiro,

madurará, arderá como ardem os frutos.

 

Divididos serão os pesares: a alma

dará um golpe de vento, e a morada

ficará limpa como o pão novo na mesa.

 

(Pablo Neruda)

 
 

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

Voltar