Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - XL

 

ERA VERDE o silêncio, molhada era a luz,

tremia o mês de junho como uma borboleta

e no astral domínio, desde o mar e as pedras,

Matlde atravessaste o meio-dia.

 

Ias carregada de flores ferruginosas,

algas que o vento sul atormenta e esquece,

ainda brancas, fendidas pelo sal devorante,

tuas mãos levantavam as espigas de areia.

 

Amo teus dons puros, tua pele de pedra intacta,

tuas unhas oferecidas no sol de teus dedos,

tua boca derramada por toda a alegria,

 

mas, para minha casa vizinha do abismo,

dá-me o atormentado sistema do silêncio,

o pavilhão do mar esquecido na areia.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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