ERA VERDE o
silêncio, molhada era a luz,
tremia o mês de junho como uma borboleta
e no astral domínio, desde o mar e as
pedras,
Matlde atravessaste o meio-dia.
Ias carregada de flores ferruginosas,
algas que o vento sul atormenta e
esquece,
ainda brancas, fendidas pelo sal
devorante,
tuas mãos levantavam as espigas de
areia.
Amo teus dons puros, tua pele de pedra
intacta,
tuas unhas oferecidas no sol de teus
dedos,
tua boca derramada por toda a alegria,
mas, para minha casa vizinha do abismo,
dá-me o atormentado sistema do silêncio,
o pavilhão do mar esquecido na areia.
do livro: Cem Sonetos de Amor