Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - XIX

 

ENQUANTO a magna espuma de Ilha Negra,

o sal azul, o sol nas ondas te molham,

eu contemplo os trabalhos da vespa

empenhada no mel de seu universo.

 

Vai e vem equilibrando seu reto e ruivo vôo

como se deslizasse de um arame invisível

a elegância do baile, a sede de sua cintura,

e os assassinatos do ferrão maligno.

 

De petróleo e laranja é seu arco-íris,

busca como um avião entre a erva

com um rumor de espiga, voa, desaparece,

 

enquanto tu saís do mar, nua,

e regressas ao mundo cheia de sal e sol,

reverberante estátua e espada da areia.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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