Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - XIV

 

ME FALTA tempo para celebrar teus cabelos.

Um por um devo contá-los e louvá-los:

outros amantes querem viver com certos olhos,

eu só quero ser penteador de teus cabelos.

 

Na Itália te batizaram Medusa

pela encrespada e alta luz de tua cabeleira.

Eu te chamo brejeira minha e emaranhada:

meu coração conhece as portas de teu pêlo.

 

Quando tu te extraviares em teus próprios cabelos,

não me esqueças, lembra-te que te amo,

não me deixes perdido ir sem tua cabeleira

 

pelo mundo sombrio de todos os caminhos

que só tem sombra, transitórias dores,

até que o sol suba à torre de teu pêlo.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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