PLENA MULHER, maçã
carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz
pisados,
que obscura claridade se abre entre
tuas colunas?
Que antiga noite o homem toca com
seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e
com estrelas,
com ar opresso e bruscas
tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos
e dois corpos por um só mel
derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno
infinito,
tuas margens, teus rios, teus
povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em
delícia
corre pelos tênues caminhos do
sangue
até precipitar-se como um cravo
noturno,
até ser e não ser senão na sombra
um raio.