Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - X

 

SUAVE é a bela como se música e madeira,

ágata, telas, trigo, pêssegos transparentes,

tivessem erigido a fugitiva estátua.

Para a onda dirige seu contrário frescor.

 

O mar molha polidos pés copiados

à forma recém-trabalhada na areia

e é agora seu fogo feminino de rosa

uma borbulha só que o sol e o mar combatem.

 

Ai, que nada te toque senão o sal do frio!

Que nem o amor destrua a primavera intacta.

Formosa, revérbero da indelével espuma,

 

deixa que teus quadris imponham na água

uma medida nova de cisne ou de nenúfar

e navegue tua estátua pelo cristal eterno.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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