Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - V

 

NÃO TE TOQUE a noite nem o ar nem a aurora,

só a terra, a virtude dos cachos,

as maçãs que crescem ouvindo a água pura,

o barro e as resinas de teu país fragrante.

 

Desde Quinchamalí onde fizeram teus olhos

aos teus pés criados para mim na Fronteira

és a greda escura que conheço:

em teus quadris toco de novo todo o trigo.

 

Talvez tu não saibas, araucana,

que quando antes de amar-te me esqueci de teus beijos

meu coração ficou recordando tua boca

 

e fui como um ferido pelas ruas

até que compreendi que havia encontrado

amor, meu território de beijos e vulcões.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

Voltar