ACOSTUMA-TE a
ver detrás de mim a sombra
e que tuas mãos saiam do
rancor, transparentes,
como se na manhã do mar fossem
criadas:
o sal te deu, amor meu,
proporção cristalina.
A inveja sofre, morre, se
esgota com meu canto.
Um a um agonizam seus tristes
capitães.
Eu digo amor, e o mundo se
povoa de pombas.
Cada sílaba minha traz a
primavera.
Então tu, florescida, coração,
bem-amada,
sobre meus olhos como as
folhagens do céu
és, e eu te fito recostada na
terra.
Vejo o sol transmigrar cachos a
teu rosto,
olhando para a altura reconheço
teus passos.
Matilde, bem-amada, diadema,
bem-vinda!