Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - LV

 

ESPINHOS, vidros rotos, enfermidades, pranto

assediam dia e noite o mel dos felizes

e não serve a torre, nem a viagem nem os muros:

a desventura atravessa a paz dos adormecidos,

 

a dor sobe e desce e acerca suas colheres

e não há homem sem este movimento,

não há natalício, não há teto nem cercado:

há que tomar em conta este atributo.

 

E no amor não valem tampouco olhos fechados,

profundos leitos longe do pestilento ferido,

ou do que passo a passo conquista sua bandeira.

 

Porque a vida pega como cólera ou rio

e abre um túnel sangrento por onde nos vigiam

os olhos de uma imensa família de dores.

 

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

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* Chillaneja - espécie de pequena raposa. (N.T.)

 

 

 

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