ESPINHOS,
vidros rotos, enfermidades, pranto
assediam dia e noite o mel
dos felizes
e não serve a torre, nem a
viagem nem os muros:
a desventura atravessa a paz
dos adormecidos,
a dor sobe e desce e acerca
suas colheres
e não há homem sem este
movimento,
não há natalício, não há teto
nem cercado:
há que tomar em conta este
atributo.
E no amor não valem tampouco
olhos fechados,
profundos leitos longe do
pestilento ferido,
ou do que passo a passo
conquista sua bandeira.
Porque a vida pega como cólera
ou rio
e abre um túnel sangrento por
onde nos vigiam
os olhos de uma imensa família
de dores.