Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - LIV

 

ESPLÊNDIDA razão, demônio claro

do cacho absoluto, do reto meio-dia,

aqui estamos ao fim, sem solidão e sós,

longe do desvario da cidade selvagem.

 

Quando a linha pura rodeia sua pomba

e o fogo condecora a paz com seu sustento,

tu e eu erigimos este celeste efeito.

Razão e amor despidos vivem nesta casa.

 

Sonhos furiosos, rios de amarga certeza,

decisões mais duras que o sonho de um martelo

caíram na dúplice taça dos amantes.

 

Até que na balança se elevaram, gêmeos,

a razão e o amor como duas asas.

Assim se construiu a transparência.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

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* Chillaneja - espécie de pequena raposa. (N.T.)

 

 

 

 

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