Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - LI

 

TEU RISO pertence a uma árvore entreaberta

por um raio, por um relâmpago prateado

que do céu tomba quebrando-se na copa,

partindo em duas a árvore com uma só espada.

 

Nas terras altas da folhagem com neve apenas

nasce um riso como o teu, bem-amante,

é o riso do ar desatado na altura,

costumes de araucária, bem-amada.

 

Cordilheirana minha, chillaneja* evidente,

corta com as facas de teu riso a sombra,

a noite, a manhã, o mel do meio-dia,

 

e que saltem ao céu as aves da folhagem

quando como uma luz esbanjadora

rompe teu riso a árvore da vida.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

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* Chillaneja - espécie de pequena raposa. (N.T.)

 

 

 

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