TEU RISO
pertence a uma árvore entreaberta
por um raio, por um relâmpago
prateado
que do céu tomba quebrando-se na
copa,
partindo em duas a árvore com uma só
espada.
Nas terras altas da folhagem com
neve apenas
nasce um riso como o teu,
bem-amante,
é o riso do ar desatado na altura,
costumes de araucária, bem-amada.
Cordilheirana minha, chillaneja*
evidente,
corta com as facas de teu riso a
sombra,
a noite, a manhã, o mel do meio-dia,
e que saltem ao céu as aves da
folhagem
quando como uma luz esbanjadora
rompe teu riso a árvore da vida.
do livro: Cem Sonetos de Amor
tradução: Carlos Nejar
* Chillaneja - espécie de pequena
raposa. (N.T.)
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