Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - L

 

COTAPOS disse que teu riso tomba

como um falcão de alguma brusca torre

e, é verdade, atravessas a folhagem do mundo

com um só relâmpago de tua estirpe celeste

 

que cai, e corta, e saltam as línguas do orvalho,

as águas do diamante, a luz com suas abelhas

e ali onde vivia com sua barba o silêncio

rebentam as granadas do sol e as estrelas,

 

vem abaixo o céu com a noite sombria,

ardem à lua cheia, sinos e cravos,

e correm os cavalos dos talabarteiros,

 

porque tu sendo tão pequeninha como és,

do teu meteoro deixas cair o riso

eletrizado o nome da natureza.

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

 

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