COTAPOS disse
que teu riso tomba
como um falcão de alguma brusca
torre
e, é verdade, atravessas a
folhagem do mundo
com um só relâmpago de tua estirpe
celeste
que cai, e corta, e saltam as
línguas do orvalho,
as águas do diamante, a luz com
suas abelhas
e ali onde vivia com sua barba o
silêncio
rebentam as granadas do sol e as
estrelas,
vem abaixo o céu com a noite
sombria,
ardem à lua cheia, sinos e cravos,
e correm os cavalos dos
talabarteiros,
porque tu sendo tão pequeninha
como és,
do teu meteoro deixas cair o riso
eletrizado o nome da natureza.
(Pablo Neruda)
do livro: Cem Sonetos de Amor
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