Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - IV

 

RECORDARÁS aquela quebrada caprichosa

onde os aromas palpitantes subiram,

de quando em quando um pássaro vestido

com água e lentidão: traje de inverno.

 

Recordarás os dons da terra:

irascível fragrância, barro de ouro,

ervas do mato, loucas raízes,

sortilégios espinhos como espadas.

 

Recordarás o ramo que trouxeste,

ramo de sombra e água com silêncio,

ramo como uma pedra com espuma.

 

E aquela vez foi como nunca e sempre:

vamos ali onde não espera nada

e achamos tudo o que está esperando.

 

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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