Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda Soneto - 

Soneto - I

 

MATILDE, nome de planta ou pedra ou vinho,

do que nasce da terra e dura,

palavra em cujo crescimento amanhece,

em cujo estio rebenta a luz dos limões.

 

Nesse nome correm navios de madeira

rodeados por enxames de fogo azul-marinho,

e essas letras são a água de um rio

que em meu coração calcinado desemboca.

 

Oh nome descoberto sob uma trepadeira

como a porta de um túnel desconhecido

que comunica com a fragrância do mundo!

 

Oh invade-me com tua boca abrasadora,

indaga-me, se queres, com teus olhos noturnos,

mas em teu nome deixa-me navegar e dormir.

 

(Pablo Neruda)

 

do livro: Cem Sonetos de Amor

tradução: Carlos Nejar

 

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