Insônia
Lentamente o outono se apresenta sobre a
casa fechada, melancólico, quase
triste.
Há muito por fazer e pouco
tempo...
Tempo que as marcas do verão ficaram,
como bronze, com sulcos esbranquiçados de lágrimas de saudade,
cravados nos rostos.
Foi o tempo que presenciou o corpo
envelhecer, a alma endurecer, as mãos enrugarem, os olhos apagarem e
a mente se manter viva.
A mente, abrindo espaços esquecidos,
buscou na lembrança azul os beijos molhados de momentos únicos e
plenamente felizes.
Tudo passou com o tempo mas,
ironicamente, nada foi esquecido, nada foi
apagado.
O amor sentido, doído, belo, profundo e
calado, se manteve incólume e preciso, jamais superado por outro
qualquer pois que, no seu momento de existência, foi uno,
indivisível e, portanto, jamais
superado.
Os amores são assim: vem e vão mas nunca
morrem, nunca desistem, nunca expiram.
O amor permanece no universo dos amantes,
por mais que o tempo os afaste, por mais que o tempo os
mate.
Permanece assim, um sonho vivido de
momentos eternos que, na idade passada, quando lembrado, rouba o
descanso e se transforma em
Insônia.
Jamais existirá outro amor, amor igual,
amor maior, amor melhor.
Os amores são plenos a cada um, enquanto
os seres existirem.
Fábio
Piza
01/03/2006 –
17h02