Reverso
reginaLU
Nos olhos da criança, há flores.
Vontade do tempo em que
flores não lembravam campas.
Nas mãos do pobre, há espera.
Vontade do
tempo em que as mãos recebiam
No corpo do jovem, há energia.
Vontade do
tempo em que a energia transpirava
Nos passos do velho, há
segurança.
Vontade do tempo em que era possível segui-los.
Nos ombros do
amigo, há um porto.
Vontade do tempo em que havia âncoras.
Nos dedos da
moça, há prendas.
Vontade do tempo em que elas continham açúcar.
Na voz
dos aflitos, há gritos.
Vontade do tempo em que havia soluções.
No canto
dos cisnes, há adeus.
Vontade do tempo em que havia lagos.
Nas asas do
gaivota, há infinito
Vontade do tempo em que havia Capelo.
Na partida de
cada um, há lágrimas.
Vontade do tempo em que havia volta.
Nas ondas do
mar, há espumas.
Vontade do tempo em que elas beijavam a praia.
Nas
estrelas docéu, há brilho.
Vontade do tempo em que elas iluminavam.
Na
cabeça de cada um, há sonhos.
Vontade do tempo dos sonhos possíveis.
E o
que fazer, em tanto caos?
Vontade de nada!