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Noturno da
Desolação
Jandira Mello de
Almeida Cahet
Em triste
sussurrante refúgio de agonia
após noite
indormida debaixo da ponte,
resignado, só o
abandono lhe assedia
tremulando de
ternura e sem horizonte
Sob um tíbio luar
quase adormecido
com fragmento que
escora sua ruína
traz lampejo de um
cometa envelhecido
só a morte neste
mundo lhe fascina
Seqüela de solidão
na aparência
descobre que
esperar não pode mais
pela vida que o
excluiu com negligência
e pelos seres
irmãos por diferenças sociais
Nenhum tempo de
júbilo para os que caminham
denegando a dúbia
forma de desesperança
sob fortes sinas
que advinham
como vozes que
fenecem sem lembranças
Na súplica da
última anunciação
galga a escada dos
martírios
paira nos céus da
consolação
submerso no mundo
dos delírios.
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