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Dissonância
Jandira Mello de
Almeida Cahet
Na
favela a miséria disfarça a fome
e a
vida não se revela
boca
sem dentes: não se come
sequer a solidão floresce amarela
A favela encobre a miséria;
casebres, fendas, emendas
alastram e consomem a
matéria
e a
fome traz torturas horrendas
Na
favela as crianças pulsam no espaço
- sussurro de lamentação materna
-
o silêncio é escasso,
pois
a lei do burguês governa
As
unhas de encardidas mãos
num
clamor de súplica, dos desesperados,
aquele que vivia em vão
e os
que estão vivos agonizados
Vivem para além do desespero e da
esperança
na
ignorância e no saber dos abandonados
o
efeito de ser ferido que transmuta em
vingança
o
crepúsculo de nascer e morrer dos renegados.
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