| MÊS DE JUNHO
(Autoras Alba Pires Ferreira e Ilda Maria Costa Brasil) (imagens, que inspirou o conto, recebida da internet sem menção de sites)
...Numa fria, madrugada, quase amanhecer dia dos namorados, um chinelo arremessado pelo vento, vamos chamá-lo "Poquetô” (o chinelo evidente) desaba sobre um monte de jornais, bem à frente da vitrine iluminada de uma sapataria. E aí começa nossa história.
Ele, olhar
comprido em direção à vitrine: – Po, eu, pé de chinelo (separando bem as
sílabas) Po-que-tô, a fim dessa Pa-que-tá mostrando bota, sapato, sandália,
tênis, prá todo mundo, num chegou, gostou, levou! Suspira: – como dizia meu
pobre mano, perdido por aí, (funga, limpa uma lágrima com o braço) quem
nasceu chinelo, não chega nunca a sapato. Outro suspiro: – agora, bom gosto
eu tenho, isso não se pode negar – àquela rasteirinha de dedo, por exemplo,
(espichou-se para melhor ver o nome) Fishy – se parece a colorido peixinho
de aquário. E as escamas então, a deslizar do mimoso traseiro... Ah, vai ser
gostosa assim lá na fábrica em Novo Hamburgo.
Mira uma outra, (afinal, olhar não faz mal a ninguém) chamada Future, sorri: – esta só veste, do peito, do pé, claro, (nada a ver com telefone, por favor) até o calcanhar de Aquiles, descansando faceirão num salto onze, enquanto sua dona, exibe nua, qual ao nascer, a ponta, esbanjando sensualidade, a beijar o asfalto (aperta os olhos) – Até que é bom, ser asfalto de vez em quando.
Súbito, espicha o pescoço, fala: – jamais pensei, que com estes olhos (passando as mãos nos olhos) – que a terra um dia irá comer – contemplaria alguma coisa tipo “Shoe Stretchers”. – Pois não é que a menina, se apresenta até de unhas postiças, pintadas à francesinha, muito bem pintadas por sinal. (as unhas dos pés – sim, mas das sandálias, minha gente – repito, pés das sandálias). Volta-se para “Shoe Stretchers”, toca na vitrine, clama: – gatinha, eu só desejo, ficar um minuto (pensa melhor) conclui: – um segundo já serve, acomodado numa caixa com você. (ri gostoso) – Bah, não ia prestar!!!
A seguir, descobre a sandália verde, “And ankle scarf”. Olhando com redobrada atenção, surpreso, exclama nosso gaúcho: – esta é tri moderna, a mantinha verde, ao redor do pescoçinho macio – linda, linda... pra ficar, na mesa, na escada, no sofá, no colinho (estremece) só de pensar, provoca arrepios.
De repente, uma garota invadindo a vitrine pelo interior da loja, apanha um lindo par de tênis, ostentando o cartaz, “Whole new meaning to tying your shoes, huh“? Ofegante, senta no sofá, às pressas, pernas esticadas, começa a colocá-los nos pés. E, o inusitado acontece: tênis cano longo, conforme vai subindo, assume o contorno das pernas, passa dos joelhos, sobe pela metade das coxas, continua, agora, cobre as coxas inteiras, sobe mais, e mais, os cadarços acompanhando a desenfreada escalada. Quando a garota está preste a juntar as pontas de cada um, nessas alturas já quase alcançando países baixos e bum bum, enérgico safanão no monte de jornais, ríspida voz do segurança a bradar: – Qual é cara, aqui em frente da loja não é albergue. De um salto, ergue-se o sem teto; um olhar ainda adormecido a vitrine, sacode a cabeça, resmunga: – pobre não é só no C... que se descadera não, pois ao sonhar... também (fazendo uma careta) conclui: – e logo, nos finalmente do sonho...
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conto, recebida da internet sem menção de
sites)
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