BARALHO DE AMOR  
 
                         

Cinqüenta e duas cartas de amor

Em tuas mãos solícitas,

Acarinhando e embaralhando tanto,

A trocá-las de lugar a cada instante,

Formando maços, traçando ouros,

Em copas, fazendo diferentes laços,

Afugentando sonhos e percalços.

Espadas em estranhos desenlaces,

Qual rei em guerra, sem valetes.

Perdida dama de paus,

Sem rumo entre coquetes,

Joguete, apenas.

Como último cartucho, o ás d’ouro,

A arder, qual ferro em fogo,

Debato-me entre as damas

Reis e ases de alto luxo,

E coringas são insuficientes

Para salvar-me, abatida em mesa,

Sonolentas vão

As esperanças de deter-te,

Do monte, lanço mão.

E os sonhos já se acabam...

Em última partida agonizo,

Em mãos, o sete belos d’ouro,

Transforma-se à paixão,

Cartada vil de mísero baralho,

Sob a manga mágica do sonho,

E na última rodada, já em transe,

Banco o amor sem esperança,

Entrega especial antes de morrer:

Viciado de ti, o coração...  

         Ieda Cavalheiro

 
 
 

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Publicado: 06.02.2003  Última atualização:  04.05.2008  

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