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BARALHO DE
AMOR
Cinqüenta e duas
cartas de amor
Em tuas mãos
solícitas,
Acarinhando e
embaralhando
tanto,
A trocá-las de
lugar a cada
instante,
Formando maços,
traçando
ouros,
Em copas, fazendo
diferentes laços, Afugentando sonhos e percalços.
Espadas em
estranhos
desenlaces,
Qual rei em
guerra, sem
valetes.
Perdida dama de
paus, Sem rumo entre coquetes, Joguete, apenas.
Como último
cartucho, o ás
d’ouro,
A arder, qual
ferro em fogo,
Debato-me entre as
damas
Reis e ases de
alto luxo,
E coringas são
insuficientes Para salvar-me, abatida em mesa, Sonolentas vão
As esperanças de
deter-te,
Do monte, lanço
mão.
E os sonhos já se
acabam...
Em última partida
agonizo,
Em mãos, o sete
belos d’ouro,
Transforma-se à
paixão,
Cartada vil de
mísero baralho,
Sob a manga mágica
do sonho,
E na última
rodada, já em
transe,
Banco o amor sem
esperança, Entrega especial antes de morrer: Viciado de ti, o coração... Ieda Cavalheiro
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