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PÚRPURO ALVORECER Badu Envolto me acho, transparecendo a alma, brotando jardim em fendas das manhãs orvalhadas. Cobiça das flores querendo despertar, expor pétalas ao sol, alucinar, alastrar perfumes pelo ar.
Êxtase onde parti em viajem sem um beijo de retorno, não foram de meus lábios sussurros de adeus.
Conto então de fantasias, beirando a heresias, dias em que furtei exuberância e guardei para mim.
No esvoaçar da liberdade, suavidade refletia sonhos, lumes de transparência em único ponto de paz. Deixo para trás indelicadezas de agora, outrora também já chorei.
Trago a certeza, olhar que presenciou voar das libélulas, tardes eternas para narrar a inocência dos anjos. Arranjos que visualizei com lágrimas do orvalho, sem ter uma razão o mundo era só meu, nem mesmo Deus parecia me encontrar.
Também anjo me fiz, amei no acalento, ludibriar veemente, momento de voar. Ao me encontrar estarei despido de ilusões, satisfação do encontro de minha alma.
Hoje abri meus braços outra vez, duas ou três vezes mais para alcançar o céu. Anjo de asas douradas, sorriso tímido a concretizar, reverenciando árduo desejo, soprado beijo em púrpuro alvorecer.
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