PÚRPURO ALVORECER

Badu

 

Envolto me acho,

transparecendo a alma,

brotando jardim em fendas

das manhãs orvalhadas.

Cobiça das flores querendo despertar,

expor pétalas ao sol,

alucinar,

alastrar perfumes pelo ar.

 

Êxtase onde parti em viajem

sem um beijo de retorno,

não foram de meus lábios

 sussurros de adeus.

 

Conto então de fantasias,

beirando a heresias,

 dias em que furtei exuberância

e guardei para mim.

 

No esvoaçar da liberdade,

suavidade refletia sonhos,

lumes de transparência

 em único ponto de paz.

Deixo para trás

 indelicadezas de agora,

outrora também já chorei.

 

Trago a certeza,

olhar que presenciou

voar das libélulas,

tardes eternas para narrar

a inocência dos anjos.

Arranjos que visualizei

com lágrimas do orvalho,

sem ter uma razão

 o mundo era só meu,

nem mesmo Deus

parecia me encontrar.

 

Também anjo me fiz,

amei no acalento,

ludibriar veemente,

 momento de voar.

 Ao me encontrar estarei

despido de ilusões,

satisfação do

 encontro de minha alma.

 

Hoje abri meus braços outra vez,

duas ou três vezes mais

para alcançar o céu.

Anjo de asas douradas,

sorriso tímido a concretizar,

reverenciando árduo desejo,

soprado beijo

em púrpuro alvorecer.

yesbadu@yahoo.com.br

 

 

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Publicado: 06.02.2003  Última atualização:  07.03.2008  

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