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Vazio das Horas Ana Pismel
A Eduardo, um caro amigo
A Solidão vem carregada pela brisa do luar Pouco a pouco, sombras vão rastejando para mim Libertando-se de seus refúgios, a medida que a tarde cai O som do dia já deixou de tilintar Agora, apenas a vaga do silencio da escuridão presencia meu anoitecer
Crio para mim essa brecha no tempo Onde não aspiro a nada E a serenidade da Solidão me faz não querer a companhia de ninguém
Mas um anjo que passa, porém Vem sentar-se comigo a pensar Olhando-me docemente Pede que eu o deixe ficar “Os anjos também gostam da Solidão”...
Foi quando percebi que na verdade O que eu mais desejava Era ter comigo alguém Mesmo quando o vazio do tempo viesse arranhar meu ser
Esse anjo tornou-se meu companheiro na Solidão Esteve comigo por tão pouco tempo Mesmo assim, pude sentir que o que o movia Era o mesmo que eu também buscava Encontrar uma companhia, Um ser que também soubesse O que é sentir o vazio das horas Em que viver é muito Temer a angústia dos minutos Em que respirar é tudo Amargar a dor dos segundos Em que o gritar é mudo
Ana Pismel
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