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Vazio das Horas

Ana Pismel

 

A Eduardo,

um caro amigo

 

 

A Solidão vem carregada pela brisa do luar

Pouco a pouco, sombras vão rastejando para mim

Libertando-se de seus refúgios, a medida que a tarde cai

O som do dia já deixou de tilintar

Agora, apenas a vaga do silencio da escuridão presencia meu anoitecer

 

Crio para mim essa brecha no tempo

Onde não aspiro a nada

E a serenidade da Solidão me faz não querer a companhia de ninguém

 

Mas um anjo que passa, porém

Vem sentar-se comigo a pensar

Olhando-me docemente

Pede que eu o deixe ficar

“Os anjos também gostam da Solidão”...

 

Foi quando percebi que na verdade

O que eu mais desejava

Era ter comigo alguém

Mesmo quando o vazio do tempo viesse arranhar meu ser

 

Esse anjo tornou-se meu companheiro na Solidão

Esteve comigo por tão pouco tempo

Mesmo assim, pude sentir que o que o movia

Era o mesmo que eu também buscava

Encontrar uma companhia,

Um ser que também soubesse

O que é sentir o vazio das horas

Em que viver é muito

Temer a angústia dos minutos

Em que respirar é tudo

Amargar a dor dos segundos

Em que o gritar é mudo

 

 

 

Ana Pismel

 

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Publicado: 06.02.2003  Última atualização:  30.08.2008  
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