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Pique – esconde Ana Pismel
O poeta é fingidor? Fugitivo, talvez Mas nunca engodo
Pensamentos libertos Olhos nas estrelas Toma impulso e alça vôo Despertando mistérios Para, sozinhos (ou não), acompanhá-los
Ele procura a si mesmo? Seria então solitário? Não, um caçador De certezas? De sonhos! O caçador de sonhos Homem de areia? Sempre em construção De dentro para fora? Talvez sim, talvez não...
Mas que sonhador! Sempre a procura Do que não pode achar Esse poeta brincalhão
E tanto se empenha Que ganha, por vezes, o jogo de pique–esconde das palavras Nada encontra No entanto, não procura em vão
Incógnita travessa, sempre ali A puxar-lhe pela manga o fio dos pensamentos O farol que atrai Mas não leva ao cais Essa procura de si Do outro, de tudo Acaba encontrando as maravilhas do mundo Sem tirá-lo da solidão
Ana Pismel
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