SOLIDÃO
Efigênia Coutinho



Toda Terra está cheia de Solidão,
porque é ela o repouso da vida,
que no mundo, tal como nos Homens, tem
sua pulsações, entre um e outro suspiro...


Entre uma e outra onda do Mar, entre um
e outro rugido da Tempestade, entre um trovão
e outro trovão, entre dois abalos de terremoto,
entre dois raios, murmura a Solidão..



A Solidão reveste-se sempre cheia de sombra e
mistérios, que vibram duma cara, duma suave melancolia.
Eu gosto da Solidão, longa, muito longa! Pois, para mim,
é véu de seda e de versos na alameda do coração!


Nas longas Solidões, os olhos fitam-se e aprofundam-se
uns nos outros, e falam sem palavras, numa língua
que não tem sons, mas que tem em si o tom de todas
as línguas que os Homens falam e escutam na Terra!



Vem! Solidão, com um beijo à boca palpitando,
Vem dar-me a extrema-unção do meu Amor !



Balneário Camboriú


 


 

 

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