Enfim, podemos dizer que da infância à morte, a ilusão envolve-nos. E aqui estou me referindo a todos e diversos outros tipos de ilusão (inclusive a "auto-ilusão). Alguns vivem por ela e só a ela se deseja e se entrega. Ilusões do amor, do ódio, da ambição, da glória, todas essas várias formas e outras mais. Crescem muitas das vezes, mais do que se deveria, por que persistimos em querer interpretar “racionalmente” sentimentos muitas vezes ainda envoltos no “iceberg” do inconsciente, em vez de tentarmos enxergar mais como um evento da emoção e menos da razão, acabando por piorar as coisas. Há certas coisas, essenciais, que "são invisíveis aos olhos".
Baudelaire asseverou uma vez, ao discorrer sobre ilusão:


“Talvez sejam em tão grande número quanto as relações dos homens entre si ou entre os homens e as coisas. E, quando a ilusão desaparece, ou seja, quando vemos o ser ou o fato tal como existe fora de nós, experimentamos um sentimento bizarro, metade dele complicada pela lástima da fantasia desaparecida, metade pela surpresa agradável diante da novidade, diante do fato real” Charles Baudelaire, in 'Pequenos Poemas em Prosa'.


Talvez esteja aí o gancho para a minha conclusão:

gosto mais da segunda parte do que Baudelaire disse, pois fico com a “surpresa agradável diante da novidade, diante do fato real”.

 

Em arremate final, queria deixar registrado que, a meu modo de ver as coisas, essa surpresa agradável a que me referi alhures, é maior e mais gratificante ilusão da vida - o AMOR!

Essa “ilusão” do sentimento do amor com suas “desilusões”, felizmente, pelo menos para mim, deixaram/deixarão de ser ilusões a partir do momento que eu as vivenciei em toda a plenitude (senti, chorei, beijei, convivi, abracei, sorri, gargalhei, gozei, ajudei e fui ajudado) em uma ou outra relação amorosa.

E pelo amor, dado e recebido, essas sensações vividas saem do campo da efemeridade e do ilusório e acompanharam minha essência, minha psique, minha alma para sempre, andando juntos, a partir de então, por toda eternidade!

E ISSO, DECIDIDAMENTE, O AMOR ETERNO – NÃO É UMA ILUSÃO!!! NÃO PARA MIM...
SERIA PARA VOCÊ?

 

Autoria: Paulo Rodrigues Duarte Lima
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