Ao meu redor superpõem imagens divagando.
Posso sonhar em várias dimensões.
O irreal mesclado ao real traduz o meu viver.
Lembrança de um passado
Esperança em um futuro
O que é imaginário?
O que é simbólico?
Confundo o doce com o azedo...
Tudo pode ser salvo como algo incompleto
O homem iludido transpõe a barreira do som,
e ocupa um espaço que não é seu
Luta sem saber por que nem pra que.
O rio profundo dá a ilusão de ser piscoso
A mãe sonha com um eterno sorriso no rosto do filho
O paralítico sonha em jogar fora a cadeira de roda...
Fantasias... devaneios...
Na vida tudo pode ser em vão,
se corrermos em direção ao nada.
A ilusão é feita: de um poema rabiscado,
do descompasso das horas,
do frio da madrugada,
da insônia insistente,
da dança das águas,
do sol escaldante,
da chuva constante,
da secura dos lábios.

Ilusão! Fotografia da aura.

 

Dilaceradora dor
Fernanda Hanna
 

Ao silêncio teu retribuo calada.
Pois para ti, melhor se faz assim.
À minha queda, presente teu, me jogaste a pedra:
- o silêncio teu.
À erguer-me do chão em que me lançaste, até a mão me negaste.
Contei com o silêncio teu.
Nas relações, tão primária,
Pedra bruta, cálida, calcária,
Te fiz de todas, a mais bela e amada.
Na arrebentação me tomaste

por execrável, me tornaste solitária.
Ao meu amor retribuíste com ausência e dissabor.
Ao final,
Decidiste que já não me querias e partiste.
Sem sequer saber da minha dor.
Dilaceradora dor que dói de doer, dor.
E ainda me mutilas acusando-me do rancor.
Que, a despeito do trato teu, eu não cultivei.
Tão somente porque diverso de tu, não joguei,
Apenas amei.

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