Confusão de aparência com realidade.
Plantou sonhos, colheu decepções.
Promessa de felicidade, vazia.
O mundo da fantasia desencantou-se.
Contudo, aguardava que algo

maravilhoso acontecesse.
Esperança sem fundamento.
Engano dos sentidos.
A árvore dos seus ideais não deu frutos.
Os arranjos campestres

não combinaram com o seu ego.
Com o cansaço mental veio a noite:
secaram os galhos dos propósitos da maturidade,
arrancaram as gramas dos seus esboços existenciais,
lágrimas regaram a tristeza.
A vida lhe entregou um buquê com espinhos!
 

QUE ILUSÃO
Rui Pais - 22/01/2007

 

Quem sou eu Senhor…
O que buscas em mim?
Não vejo nenhuma flor,
Terá murchado o jardim?

Diz-me quem sou afinal…
Serei apenas uma vontade
Que não exprime um desejo?
Talvez um réptil, um caranguejo…
Onde está a minha realidade?

Que existência rara a minha,
Desde a aurora ao crepúsculo,
Sinto-me tão minúsculo,
Numa rota onde ninguém caminha!

Senhor o que vim aqui fazer…
Puseste-me neste chão incógnito?
Envia alguém para me esclarecer…
Não vejo como abraçar o êxito!

Parece que fui enviado do além,
Dum mundo donde ninguém vem!
Não me atribuíste uma tarefa…
Sigo-a buscando numa estafa!

Passo por todo o lado,
Sem me fixar em nenhum.
Que ilusão, será este meu fado…
Que diferença faço do ser comum?

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